Não se vive aos bocadinhos.
Não se esmola vida.
Não se pede licença para existir.
Não se existe de favor. Viver é
apoderar-se dos instantes, é copular com os dias e
com orgasmos, sempre que possível!
É apossar-se do estar sendo, emprenhar-se de mundo.
Viver é rasgar-se por dentro, deixar-se arranhar pelo medo,
vibrar na alta freqüência do desconhecido, enfiar a língua
entre os dentes da loucura, parir-se ao contrário todas as
manhãs.
Viver não é um exercício de preservação, mas de auto-flagelo.
Para viver é preciso deitar-se com serpentes enquanto se fita
passarinhos; ferir os pés nas brutais imperfeições diárias,
sangrar sorrisos, chorar misérias, dançar sobre cinzas em chamas.
Vida é o caminho que se faz todos os dias entre a demência e
a sanidade. E estar vivo é não ter medo de se perder nesse
percurso.

"Toco teu rosto com a minha boca
E teus lábios tocam levemente os meus
É o segundo antes do beijo que é amor
É aquele momento em que nada mais importa
E não há o certo e o errado. Só você e eu
Ninguém deveria atrapalhar. os segundos antes do beijo
Momentos de alma que precedem momentos de saliva e desejo
E cada beijo vem mais forte. E cada beijo deixa de ser só beijo
Porque houve o antes. E porque antes era o amor
E eu passaria a noite toda nesses segundos de antes
E poderia de olhos fechados ou abertos
Tocar teu rosto com meus lábios
Sentir tua pele e o calor que sai do meu rosto em direção ao teu
E aquele cheiro que vem da tua nuca e invade todo meu corpo
E sentindo tua respiração
Ficar a noite toda nesse mundo entre a minha boca e a tua
E eu imagino então que o mundo parou
E todos esperam que você aceite e ache certo
E isso me parece ser o certo
Isso de você deixar que eu te ame!"

Se um dia, eu voltar a me apaixonar,
que seja por alguém que sem emitir uma só palavra,
toque o meu rosto, me olhe dentro dos olhos e diga :
“Eu estou aqui, porque aqui, é o único lugar onde eu quero estar!!

"E eles se admiravam por estarem juntos! Até que tudo se transformou
em "nãos", quando "se" cobraram essa mesma alegria que já era deles.
Então começou a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras
desacertadas, dos sorrisos irônicos, da falta deles, neles! E estavam ali,
no entanto. E no entanto, ninguém estava ali. Erraram em tudo!
E brilhava a grande lua, nas noites; e quanto mais luar, maiores as brigas,
as perdas. Acabaram-se os sorrisos. Tudo só porque tinham prestado atenção,
e não estavam distraídos, o bastante. Só porque, de súbito, exigentes e duros,
quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome;
porque quiseram ser, o que já eram; tiveram então que aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que
a carta chegue e, quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera
já apagou as luzes, já trancou a porta e já cortou os fios.
Tudo, tudo, por não estarem mais distraídos."
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